Natália Flores Jacobi, farmacêutica, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.
Camila Parcianello Saccol, farmacêutica, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.
Letícia Cruz, professora e pesquisadora, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.
Os comprimidos orodispersíveis, que se desintegram rapidamente na boca sem necessidade de água, podem tornar o uso de medicamentos mais simples e seguro para milhões de pessoas. Apesar dessas vantagens, um estudo publicado no periódico Brazilian Archives of Biology and Technology (vol. 69, 2026), revela que essa tecnologia ainda é pouco explorada no Brasil, com apenas 50 registros ativos identificados junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em 2024.
O artigo Orodispersible Tablets: from Concept to Data Analysis of Valid Records in Brazil, analisou os medicamentos registrados nessa forma farmacêutica e investigou suas características, indicações terapêuticas e orientações de uso. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a partir de dados públicos da ANVISA e das bulas eletrônicas disponíveis no sistema oficial da agência.
Os comprimidos orodispersíveis foram desenvolvidos para atender principalmente pacientes que apresentam dificuldade de deglutição, como idosos, crianças, pessoas com doenças neurológicas ou transtornos psiquiátricos. Ao entrarem em contato com a saliva, esses comprimidos se desintegram rapidamente, dispensando o uso de água e reduzindo o risco de engasgos.
Entre os resultados, os pesquisadores identificaram que os medicamentos antieméticos à base de ondansetrona representam quase metade dos registros ativos no país, seguidos pelos antidepressivos contendo mirtazapina. Juntas, essas duas classes terapêuticas correspondem a aproximadamente 64% dos comprimidos orodispersíveis disponíveis no mercado brasileiro.
Além de mapear os produtos existentes, o estudo destaca um desafio regulatório importante: a ANVISA ainda não possui uma definição específica e detalhada para essa forma farmacêutica, diferentemente de agências internacionais como a FDA – Food and Drug Administration (administração de alimentos e medicamentos), dos Estados Unidos, e a EMA – European Medicines Agency (Agência Europeia de Medicamentos), da União Europeia. Essa lacuna pode contribuir para a baixa disseminação da tecnologia no país.
Os autores concluem que os comprimidos orodispersíveis representam uma alternativa simples, acessível e com potencial para aumentar a adesão aos tratamentos medicamentosos, especialmente em populações vulneráveis. Também defendem maior divulgação dessa tecnologia entre profissionais de saúde, pacientes e fabricantes, além do fortalecimento de diretrizes regulatórias nacionais que incentivem sua adoção.
Para ler o artigo, acesse
JACOBI, N.F., SACCOL, C.P. and CRUZ, L. Orodispersible Tablets: from Concept to Data Analysis of Valid Records in Brazil. Brazilian Archives of Biology and Technology [online]. 2026, vol. 69, e26250373 [viewed 02 July 2026]. https://doi.org/10.1590/1678-4324-2026250373. Available from: https://www.scielo.br/j/babt/a/KXfTB57GDqnYkdNq64kzWZN/
Links externos
Brazilian Archives of Biology and Technology – BABT
Universidade Federal de Santa Maria – UFSM
Como citar este post [ISO 690/2010]:










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