Acidentes são a principal causa de morte violenta no mundo

Por Maria Cecília de Souza Minayo, Editora-chefe, Rio de Janeiro, RJ, Brasil e Luiza Gualhano, Assistente de comunicação, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

O número 12 do volume 21, 2016, da Ciência & Saúde Coletiva trata do impacto de dois tipos de acidentes sobre a saúde dos brasileiros: os ocorridos no trânsito e as quedas. Ambos afetam direta e indiretamente as condições de saúde dos indivíduos, reduzem os anos de vida produtiva, geram lesões e sequelas, muitas vezes irreversíveis, e produzem elevado número de mortes que poderiam ser evitadas. No Brasil, de 2010 a 2015, os acidentes representaram aproximadamente 80% das internações realizadas no SUS por causas externas. Dessas, sobressaem as quedas com 45% das hospitalizações, e os acidentes de transporte com 22%. As repercussões negativas desses eventos vão muito além da atuação tradicional do setor saúde, pois supõem custos sociais, econômicos e individuais.

No caso dos acidentes de transporte, o foco das análises são as mortes, lesões, traumas e incapacidades, por sexo, idade, regiões do país, uso de equipamento de segurança e tendências. Um grupo de artigos analisa esse tema a partir dos dados produzidos pelo Inquérito VIVA (Vigilância de Violências e Acidentes) de 2014 e apontam as vítimas mais vulneráveis: motociclistas, os ciclistas e um tipo de pedestres que são as crianças e idosos. Foco especial é dado aos motociclistas que, atualmente, formam uma categoria altamente vulnerável a lesões e mortes em seu deslocamento: geralmente seu perfil é o de jovens trabalhadores de baixa renda que se arriscam no trânsito para ganhar a vida. Nesse sentido, observa-se, uma falta de regulação e de mecanismos repressivos que possam diminuir as mortes e as deficiências que em vão se multiplicam, lesando as famílias, a sociedade e inflacionando o serviço público.

Olhando-se por grupos de idade é importante assinalar a situação da população acima de 60 anos, para quem a primeira causa de morte violenta são os acidentes de trânsito e a primeira causa de internação são as quedas. Ambos os problemas são em grande parte evitáveis, numa sociedade que busque a convivência civilizada e proteja as pessoas de idade. No caso das quedas, a casa é o principal local onde os traumas e lesões ocorrem. E há uma série de cuidados que podem e devem ser tomados para se evitar a dependência e as mortes por negligências: ter iluminação suficiente nos espaços frequentados pelos idosos; adaptar pisos antiderrapantes nos corredores, na cozinha e no banheiro; evitar tapetes ou colocar dispositivos antiderrapantes debaixo deles; colocar barras de apoio no banheiro; colocar corrimão nas escadas; e ter os objetos de uso comum em lugares acessíveis de forma que a pessoa não tenha que usar escadas ou cadeiras para acessá-los. Um belo trabalho sobre os cuidados com a casa para evitar quedas, queimaduras e intoxicações está à disposição do público no site da Fundação Mapfre (www.fundacionmapfre.com.br ) especializada na prevenção de acidentes domésticos nessa faixa etária.

Apesar de serem exorbitantes as taxas de morte e lesões pelas duas causas citadas acima, a notícia boa é que tanto no Brasil como no mundo essas taxas mostram tendência à queda, certamente revelando maior consciência social e mais empenho dos gestores públicos e da sociedade nas ações de prevenção e promoção da vida.

Para ler os artigos, acesse

Ciência & Saúde Coletiva, vol.21 no.12, Rio de Janeiro, nov. 2016 – <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1413-812320160012&lng=pt&nrm=iso>

Link externo

Ciência & Saúde Coletiva – CSC: <http://www.scielo.br/csc>

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

MINAYO, M.C.S. and GUALHANO, L. Acidentes são a principal causa de morte violenta no mundo [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2017 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2017/01/05/acidentes-sao-a-principal-causa-de-morte-violenta-no-mundo/

 

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