Desenvolvimento, desigualdade e cooperação internacional em saúde

Por Maria Cecília de Souza Minayo, Editora-chefe e Luiza Gualhano, Assistente de comunicação, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Os autores abordam temas de grande importância como, um balanço do conceito e das práticas de “saúde internacional” a partir de Alma Ata, frente às tensões presentes no contexto pós-segunda guerra mundial (PIRES-ALVES; CUETO, 2017). A cooperação tradicional para o desenvolvimento é introduzida de forma crítica na reflexão que apresenta um novo movimento diplomático chamado Cooperação Sul-Sul, no qual o Brasil tem um protagonismo importante. O pano de fundo é a concepção ressignificada, denominada “cooperação estruturante” proposta pelo Centro Colaborador da OPAS/OMS em Saúde Global e Cooperação Sul-Sul (CRIS) da Fundação Oswaldo Cruz. O que a diferencia da cooperação tradicional é o fato de que o apoio financeiro a países subdesenvolvidos é acompanhado do aporte na formação de pessoas, da transferência de tecnologias hard e soft, e do acompanhamento dos processos de implantação e de implementação das ações e equipamentos. Vários autores tratam as experiências em curso de forma crítica, mostrando um balanço entre o ideal e o possível, entre os ganhos e os limites dos experimentos (CAMPOS, 2017; FERREIRA; FONSECA, 2017; HERRERO, 2017).

Do ponto de vista geral, esta edição temática focaliza dois paradoxos: a sinergia entre mais desenvolvimento e mais desigualdade, por causa do avanço científico, tecnológico e econômico dos países desenvolvidos, versus o aprofundamento das iniquidades naqueles em que esses ativos não estão presentes; e, a tensão entre solidariedade internacional e interesses nacionais na definição dos acordos geopolíticos e militares entre países (SANTANA; PIRES-ALVES, 2017). Essas discrepâncias vêm se avolumando ao longo do tempo e se projetam sobre a qualidade de vida e saúde nos dois extremos de forma quase irremediável, demandando melhorias globais de governança. Estima-se que cerca de 800 milhões de pessoas em todo o mundo estejam cronicamente com fome, uma em cada seis crianças nos países em desenvolvimento estejam abaixo do peso e um terço das mortes de crianças menores de cinco anos sejam atribuíveis à desnutrição (BARRETO, 2017).

É preciso dar relevância ao fato de que disputas de poder entre governos e influência escancarada de interesses de grandes transnacionais são fatores importantes no engendramento das desigualdades e injustiças que dividem o mundo e trazem efeitos perversos e dolorosos para a saúde das populações mais pobres, para as quais não chegam os benefícios dos avanços científicos e tecnológicos.

Para ler os artigos, acesse

Ciência & Saúde Coletiva, vol.22 no.7, Rio de Janeiro, Jun. 2017 – <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1413-812320170027&lng=pt&nrm=iso>

Link externo

Ciência & Saúde Coletiva – CSC: <http://www.scielo.br/csc>

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

MINAYO, M.C.S. and GUALHANO, L. Desenvolvimento, desigualdade e cooperação internacional em saúde [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2017 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2017/07/24/desenvolvimento-desigualdade-e-cooperacao-internacional-em-saude/

 

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