Direito à cidade como direito à saúde

Por Maria Cecília de Souza Minayo, Editora-chefe e Luiza Gualhano, Assistente de comunicação, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Os artigos que compõem o número temático (vol. 22, no. 12) de Ciência & Saúde Coletiva podem ser lidos, pelo menos, em cinco perspectivas: (1) a das várias agendas urbanas sintetizadas em programas como Cidades Saudáveis, Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes e Cidades Educadoras, todos elas em interconexão com o direito à saúde (ANDRADE; FRANCESCHINI, 2017; CATANANTE, et al., 2017); (2) a dos modos de escuta e participação das populações em situação de vulnerabilidade no enfrentamento de fragilidades na ocupação do espaço, uso da terra, infraestrutura, segurança pública, saneamento básico, dentre outros (FIGUEIREDO, et al., 2017); (3) a das metodologias avaliativas que priorizam o olhar sobre a efetividade das práticas e da articulação das políticas públicas locais no trato das vulnerabilidades (OLIVEIRA et al., 2017; SOUZA, et al., 2017); (4) a da análise dos programas de proteção assegurada por lei à pessoa idosa, à pessoa com deficiência, à população LGBT, aos índios, à mulher, às crianças e adolescentes e aos negros (PAULA; SILVA; BITTAR, 2017); (5) a da avaliação da sinergia de recursos, talentos e ideias na implementação de políticas e programas sociais e de saúde (CAMPOS, et al., 2017).

A leitura deste número remete ao conceito de saúde expresso na Constituição de 1988, do qual a Ciência & Saúde Coletiva é uma das guardiãs. No Editorial, os Editores Convidados (AKERMAN; FIGUEIREDO; MARTINS, 2017) que mantêm em suas Universidades grupos de pesquisa e de avaliação da Política Nacional de Promoção da Saúde não se furtam a falar de um certo desalento que hoje invade a alma dos sanitaristas brasileiros por causa do retrocesso social e perdas evidentes de direitos conquistados. Entretanto, eles ressaltam que a resistência está no DNA da Saúde Coletiva e que os momentos de crise e dificuldades oferecem excelente oportunidade para se produzirem mudanças positivas.

“Existe uma grande desordem sobre os céus e a situação é excelente”! Frase atribuída a Mao Tzé-Tung e disseminada recentemente por Slavoj Zizek em seu livro “Vivendo no fim dos tempos” (ZIZEK, 2012).

Referências

AKERMAN, M., et al. Editorial. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol. 22, no. 12, pp. 3818, ISSN: 1413-8123 [viewed 20 dezembro 2017]. DOI: 10.1590/1413-812320172212.24382017. Available from: http://ref.scielo.org/xbqpcn

ANDRADE, E.http://doi.dx.org/10.1590/1413-812320172212.24382017A. and FRANCESCHINI, M.C. T. O direito à cidade e as agendas urbanas internacionais: uma análise documental. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol. 22, no. 12, pp. 3849-3858, ISSN: 1413-8123 [viewed 20 dezembro 2017]. DOI: 10.1590/1413-812320172212.24922017. Available from: http://ref.scielo.org/7kwb53

CAMPOS, D.S., et al. Construção participativa da Política Estadual de Promoção de Saúde: caso de Minas Gerais, Brasil. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol. 22, no. 12, pp. 3955-3964, ISSN: 1413-8123 [viewed 20 dezembro 2017]. DOI: 10.1590/1413-812320172212.25062017. Available from: http://ref.scielo.org/925bvc

CATANANTE, G.V., et al. Participação social na Atenção Primária à Saúde em direção à Agenda 2030. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol. 22, no. 12, pp. 3965-3974, ISSN: 1413-8123 [viewed 20 dezembro 2017]. DOI: 10.1590/1413-812320172212.24982017. Available from: http://ref.scielo.org/bvxs7y

FIGUEIREDO, G.L.A., et al. Direito à cidade, direito à saúde: quais interconexões? Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol. 22, no. 12, pp. 3821-3830, ISSN: 1413-8123 [viewed 20 dezembro 2017]. DOI: 10.1590/1413-812320172212.25202017. Available from: http://ref.scielo.org/pntf3z

OLIVEIRA, R.T.Q., et al. Matriz de avaliação de programas de promoção da saúde em territórios de vulnerabilidade social. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol. 22, no. 12, pp. 3915-3932, ISSN: 1413-8123 [viewed 20 dezembro 2017]. DOI: 10.1590/1413-812320172212.24912017. Available from: http://ref.scielo.org/hgmpfn

PAULA, C.E.A., SILVA, A.P. and BITTAR, C.M.L. Vulnerabilidade legislativa de grupos minoritários. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol. 22, no. 12, pp. 3841-3848, ISSN: 1413-8123 [viewed 20 dezembro 2017]. DOI: 10.1590/1413-812320172212.24842017. Available from: http://ref.scielo.org/wymmtw

SOUSA, I.V., et al. Diagnóstico participativo para identificação de problemas de saúde em comunidade em situação de vulnerabilidade social. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2017, vol. 22, no. 12, pp. 3945-3954, ISSN: 1413-8123 [viewed 20 dezembro 2017]. DOI: 10.1590/1413-812320172212.25012017. Available from: http://ref.scielo.org/8zydnb

ZIZEK, S. Vivendo no fim dos tempos. São Paulo: Boitempo, 2012.

Para ler os artigos, acesse

Ciênc. saúde coletiva vol.22 no.12 Rio de Janeiro Dec. 2017

Link externo

Ciência & Saúde Coletiva – CSC: <http://www.scielo.br/csc>

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

MINAYO, M. C. S. and GUALHANO, L. Direito à cidade como direito à saúde [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2018 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2018/01/04/direito-a-cidade-como-direito-a-saude/

 

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