O SUS resiste a mais 30 anos?

Por Maria Cecília de Souza Minayo, Editora-chefe e Luiza Gualhano, Assistente de comunicação, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Quanto aos méritos, existem dados concretos e consensos sobre o crescimento exponencial do número de equipamentos públicos e de serviços (VIACAVA, 2018), de atendimentos (PAIM, 2018) e de diminuição de doenças tanto infecciosas como crônicas (SOUZA, et al., 2018). É impressionante observar o quanto um sistema universal, ainda que imperfeito e cheio de falhas em sua implementação, consegue dar respostas efetivas – que obviamente devem ser analisadas junto com outros fatores – na expressiva diminuição da mortalidade infantil (LEAL, et al., 2018), no aumento substantivo da expectativa de vida (VERAS; OLIVEIRA, 2018), na eliminação ou erradicação de doenças (TEIXEIRA, et al., 2018), na implementação de uma série de políticas específicas vinculadas aos direitos humanos e sociais (GOMES, et al., 2018; MINAYO, et al., 2018; MINAYO-GOMEZ; VASCONCELLOS; MACHADO, 2018); e em ações efetivas de promoção da saúde! (MALTA, et al., 2018).

Nos 40 textos que compõem esta edição, o leitor encontrará também análises críticas e até ácidas sobre os problemas profundos e estruturais do Sistema. Dentre as dificuldades, são unânimes os estudos que assinalam o subfinanciamento que acompanha o processo de sua implantação e implementação durante todos esses 30 anos (SESTELO, 2018); as questões de gestão dentre as quais, o excessivo poder centralizador federal e problemas na organização e sustentabilidade dos serviços nos estados e municípios; (RIBEIRO, et al., 2018; VIANA, et al., 2018); a falta de uma política efetiva de recursos humanos (MACHADO; XIMENES NETO, 2018); a cultura hospitalocêntrica que ainda persiste; e a mentalidade privatista que atua maldizendo e flagelando as tentativas de crescimento do SUS que nasceu na contramão da vigência internacional da proposta neoliberal (NORONHA, et al., 2018).

Apesar de haver consenso sobre os avanços alcançados e sobre os problemas estruturais que minam as imensas potencialidades do SUS, esta edição é uma amostra da pluralidade de diagnósticos, de interpretações e de propostas que provêm dos dados apresentados pelos mais de 100 autores, a respeito dos temas que debateram e compõem o caleidoscópio do SUS. Essa polissemia nalgum momento precisa resolver o dilema de Alice, – “todos os caminhos estão abertos” – saindo do mundo das ideias e escolhendo uma das trilhas a seguir: aquela que preserve a universalização e contribua para traçar um futuro adequado e promissor para o SUS que, embora setorial, não pode ser tratado fora do destino das políticas sociais necessárias ao país.

Referências

GOMES, R., et al. Gênero, direitos sexuais e suas implicações na saúde. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1997-2006, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.04872018. Available from: http://ref.scielo.org/82pqdy

LEAL, M.C., et al. Saúde reprodutiva, materna, neonatal e infantil nos 30 anos do Sistema Único de Saúde (SUS). Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1915-1928, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.03942018. Available from: http://ref.scielo.org/vbkc6n

MACHADO, M.H. and XIMENES NETO, F.R.G. Gestão da Educação e do Trabalho em Saúde no SUS: trinta anos de avanços e desafios. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1971-1979, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.06682018. Available from: http://ref.scielo.org/7xc8hm

MALTA, D.C., et al. O SUS e a Política Nacional de Promoção da Saúde: perspectiva resultados, avanços e desafios em tempos de crise. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1799-1809, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.04782018. Available from: http://ref.scielo.org/6mhfxq

MINAYO, M.C.S., et al. Institucionalização do tema da violência no SUS: avanços e desafios. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 2007-2016, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.04962018. Available from: http://ref.scielo.org/jfvxcd

MINAYO-GOMEZ, C., VASCONCELLOS, L.C.F. and MACHADO, J.M.H. Saúde do trabalhador: aspectos históricos, avanços e desafios no Sistema Único de Saúde. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1963-1970, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.04922018. Available from: http://ref.scielo.org/ygszjh

NORONHA, J.C., et al. Notas sobre o futuro do SUS: breve exame de caminhos e descaminhos trilhados em um horizonte de incertezas e desalentos. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 2051-2059, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.05732018. Available from: http://ref.scielo.org/8339y4

PAIM, J.S. Sistema Único de Saúde (SUS) aos 30 anos. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1723-1728, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.09172018. Available from: http://ref.scielo.org/rbwzbf

RIBEIRO, J.M., et al. Federalismo e políticas de saúde no Brasil: características institucionais e desigualdades regionais. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1777-1789, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.07932018. Available from: http://ref.scielo.org/9tymwk

SESTELO, J.A.F. Dominância financeira na assistência à saúde: a ação política do capital sem limites no século XXI. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 2027-2034, ISSN: 1413-8123 DOI: 10.1590/1413-81232018236.04682018. Available from: http://ref.scielo.org/cdcrrf

SOUZA, M.F.M., et al. Transição da saúde e da doença no Brasil e nas Unidades Federadas durante os 30 anos do Sistema Único de Saúde. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1737-1750, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.04822018. Available from: http://ref.scielo.org/p6zsb4

TEIXEIRA, M.G., et al. Conquistas do SUS no enfrentamento das doenças transmissíveis. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1819-1828, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.08402018. Available from: http://ref.scielo.org/sfvhm8

VERAS, R.P., OLIVEIRA, M. Envelhecer no Brasil: a construção de um modelo de cuidado. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1929-1936, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.04722018. Available from: http://ref.scielo.org/m2mp9y

VIACAVA, F., et al. SUS: oferta, acesso e utilização de serviços de saúde nos últimos 30 anos. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1751-1762, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.06022018. Available from: http://ref.scielo.org/qkz8km

VIANA, A.L.d’Á., et al. Regionalização e Redes de Saúde. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol. 23, no. 6, pp. 1791-1798, ISSN: 1413-8123 [viewed 17 July 2018]. DOI: 10.1590/1413-81232018236.05502018. Available from: http://ref.scielo.org/rmm2dq

Para ler os artigos, acesse

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.6 Rio de Janeiro jun. 2018

Link externo

Ciência & Saúde Coletiva – CSC: <http://www.scielo.br/csc>

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

MINAYO, M.C.S. and GUALHANO, L. O SUS resiste a mais 30 anos? [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2018 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2018/07/17/o-sus-resiste-a-mais-30-anos/

 

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