Inês Ribeiro, farmacêutica, investigadora principal na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal
O estudo Tentativas de suicídio por intoxicação registradas em um centro de informação e assistência toxicológica: estudo transversal, Fortaleza, 2022, publicado pela Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS (vol. 34 no. 11, 2025), analisou os registros de casos de intoxicação associados a tentativas de suicídio, em 2022, no Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Fortaleza, Ceará, referência regional no atendimento e vigilância de intoxicações.
O objetivo foi compreender quem são as pessoas mais afetadas, quais as substâncias mais frequentemente usadas e os contextos em que ocorreram as intoxicações associadas a tentativas de suicídio. A pesquisa usou dados oficiais do Sistema Brasileiro de Dados de Intoxicações, para caracterizar as tentativas de suicídio por intoxicação e subsidiar estratégias de prevenção e cuidado. O trabalho revelou que os medicamentos foram as substâncias mais frequentemente usadas e que a maioria dos casos ocorreu em ambiente domiciliar, evidenciando a relevância do tema para o cotidiano da população e dos serviços de saúde.

Imagem: MART PRODUCTION via Pexels.
No total, foram identificados 360 casos de tentativa de suicídio por intoxicação. Os medicamentos representaram o principal agente tóxico (64,4%), seguidos pelos praguicidas (18,9%), que apresentaram a maior taxa de letalidade. A maioria das ocorrências envolveu mulheres, jovens entre 20 e 29 anos, residentes em áreas urbanas, e ocorreu dentro do domicílio. A via oral foi predominante e quase metade dos pacientes necessitou de internamento hospitalar, embora a maior parte tenha evoluído para cura. Os achados reforçam a importância da vigilância toxicológica, do acesso aos serviços de saúde e do uso responsável de medicamentos, além de evidenciarem grupos populacionais mais vulneráveis.
Os resultados desse estudo apontam para a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção do suicídio, especialmente entre mulheres jovens. “O estudo contribui com conhecimento necessário para nortear políticas e medidas de prevenção dessas ocorrências. Entre elas, destacam-se a regulamentação do acesso aos agentes tóxicos, o fortalecimento de programas de apoio psicológico e a ampliação de campanhas de prevenção ao suicídio”, destacam os autores. O estudo também destaca o papel estratégico dos centros de informação toxicológica na produção de dados qualificados para subsidiar ações de vigilância e prevenção.
Para ler o artigo, acesse:
SANTOS, A.Q.S., et al. Tentativas de suicídio por intoxicação registradas em um centro de informação e assistência toxicológica: estudo transversal, Fortaleza, 2022, Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS [online]. 2025, vol. 34, no. 11, e20240885 [viewed 5 March 2026]. https://doi.org/10.1590/S2237-96222025v34e20240885.pt. Available from: https://www.scielosp.org/article/ress/2025.v34/e20240885/pt/
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