Nematoides do solo revelam a saúde dos agroecossistemas

Simone Bacilieri, Editora de Mídias Sociais do periódico Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, SP, Brasil.

Logo do periódico Arquivos do Instituto BiológicoOs nematoides do solo (vermes microscópios) podem funcionar como termômetros biológicos da qualidade ambiental. Os autores do artigo Nematofauna in agroecosystems: a review of their ecological significance and response to land use, publicado no periódico Arquivos do Instituto Biológico (vol. 93, 2026), demonstram que mudanças no uso da terra alteram profundamente a estrutura trófica e os índices ecológicos dessas comunidades, refletindo diretamente o estado de conservação ou degradação do solo.

A revisão analisou estudos conduzidos em diferentes países e em diversos biomas brasileiros, comparando áreas de vegetação nativa, sistemas agroflorestais, monoculturas e áreas sob diferentes intensidades de manejo agrícola. Os autores examinaram indicadores como a diversidade taxonômica e a abundância relativa por grupos tróficos (bacteriófagos, fungívoros, onívoros, predadores e parasitas de plantas), além de índices ecológicos amplamente utilizados, como Shannon-Weaver, Jaccard, Bray-Curtis e o índice de maturidade.

 

 

O levantamento evidencia que agroecossistemas intensivos, especialmente sob monocultura prolongada e uso frequente de insumos químicos, tendem a apresentar menor diversidade e maior predominância de nematoides parasitas de plantas. Em contraste, áreas de vegetação nativa ou sistemas com manejo mais equilibrado exibem maiores índices de maturidade ecológica e presença mais expressiva de predadores e onívoros, grupos sensíveis à perturbação ambiental.

No contexto brasileiro, pesquisas realizadas em biomas como Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Amazônia confirmam que a conversão de áreas naturais em sistemas agrícolas reduz a diversidade da nematofauna e altera sua estrutura funcional. Sistemas integrados e práticas agroecológicas, por outro lado, podem mitigar impactos e favorecer a recuperação de indicadores biológicos do solo.

O estudo também discute desafios metodológicos, destacando a importância da taxonomia clássica aliada a ferramentas moleculares para aprimorar a identificação e ampliar a confiabilidade dos diagnósticos ecológicos. A consolidação do uso de nematoides como bioindicadores representa uma estratégia promissora para orientar políticas de manejo sustentável, aumentar a produtividade agrícola e preservar a biodiversidade edáfica.

Para ler o artigo, acesse

TOMAZINI, M.D., et al. Nematofauna in agroecosystems: a review of their ecological significance and response to land use. Arquivos do Instituto Biológico [online]. 2026, vol. 93, e00032025 [viewed 01 April 2026]. https://doi.org/10.1590/1808-1657000032025. Available from: https://www.scielo.br/j/aib/a/FsyK9bHRPVsqXkz4BxbDxhb/

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

BACILIERI, S. Nematoides do solo revelam a saúde dos agroecossistemas [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2026 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2026/04/01/nematoides-do-solo-revelam-a-saude-dos-agroecossistemas/

 

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