Fabiana Sabadini Rezende Niglio, Coordenadora de Comunicação do Brazilian Journal of Food Technology, Campinas, SP, Brasil.
Silvia Pimentel Marconi Germer, Editora adjunta do Brazilian Journal of Food Technology, Campinas, SP, Brasil.
O cajueiro (Anacardium occidentale L.) produz dois componentes principais, o fruto verdadeiro (aquênio) e o pseudofruto (o caju). Do fruto verdadeiro obtém-se a castanha. O pseudofruto é o pedúnculo carnoso, suculento e aromático, que é consumido in natura ou processado na forma de sucos, doces, vinagres e outros. O Brasil se destaca pela exportação de castanhas de caju, sendo que a maior produção está localizada no estado do Ceará.
Os agricultores familiares compõem 82% dos produtores do estado (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2024). A integração vertical da cadeia produtiva, entretanto, desfavorece esses produtores, que são pressionados por maior produtividade e apresentam baixo poder de negociação. Uma estratégia apontada para a classe é a produção conjunta de derivados do caju, itens que poderiam ser comercializados diretamente nos mercados locais, beneficiando-se do potencial turístico da região.
Nesse contexto, o estudo Perceptions of local food consumption and sensory acceptance of cashew products among tourists in Ceará, Brazil, publicado pelo Brazilian Journal of Food Technology (vol.28, 2025), foi desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical, Universidade Federal do Ceará, ambos localizados em Fortaleza (Ceará), em parceria com o Instituto Federal de Educação, Campus de Baturité (Ceará), para avaliar a percepção dos turistas da região de Beberibe, no litoral leste do estado com relação ao consumo de produtos locais a base de caju.
A região escolhida é famosa pelas praias, dunas e desfiladeiros, com grande afluxo de turistas brasileiros e estrangeiros, além de ser responsável pela segunda maior produção de caju do estado. O estudo foi realizado em duas etapas: a primeira envolveu uma pesquisa transversal e descritiva, visando explorar a percepção dos turistas quanto aos alimentos locais, identificando fatores que os motivariam ao consumo; a segunda etapa envolveu testes sensoriais para avaliar a aceitação de cinco produtos derivados do caju: suco de caju, cajuína (suco clarificado e esterilizado), doce de caju, mel de caju, e um croquete plant-based preparado com as fibras de caju.

Imagem: Via Canva
O estudo foi conduzido em um hotel, na praia de Morro Branco, durante a organização de um evento sobre turismo, combinando uma pesquisa online e testes sensoriais. Em uma das salas de conferência, dois estandes equipados com computadores foram montados para coletar as respostas da pesquisa. Nos ensaios sensoriais, seis cabines individuais foram organizadas para as provas, empregando-se o método de aceitação, com escalas hedônicas de 5 pontos (Meilgaard et al., 2015). Participaram da pesquisa 132 turistas.
A pesquisa revelou que a maior parte dos respondentes (80%) demonstra interesse em experimentar novos alimentos, sendo que a grande maioria (90%) se sente impulsionada para o consumo de produtos proveniente da agricultura familiar, pois os associam à cultura regional e à agricultura sustentável. Entre os itens avaliados, o doce de caju, a cajuína e o croquete obtiveram alta aceitação, com notas sensoriais médias iguais ou superiores a 8,0. No entanto, aproximadamente a metade dos provadores (47%) afirma sentir receio, por questões de higiene, de consumir alimentos locais em suas viagens. Por sua vez, 80% dos participantes afirmam que maiores informações sobre a história, a cultura e o processo de produção aumentariam as vendas.
O estudo demonstrou, portanto, grande potencial dos produtos derivados do caju, o que poderia impulsionar o turismo gastronômico e agregar valor às produções de pequenos agricultores, beneficiando a agricultura sustentável. Outras estratégias, segundo os autores, poderiam aumentar ainda mais a visibilidade desses produtos e as vendas: o emprego de circuitos mais curtos de comercialização; o uso de embalagens melhores, mais criativas e mais informativas; e informações sobre os processos produtivos (storytelling).
Para ler o artigo, acesse
ARAÚJO, Í.M.S., et al. Perceptions of local food consumption and sensory acceptance of cashew products among tourists in Ceará, Brazil. Brazilian Journal of Food Technology [online]. 2025, vol.28, e2024142. [viewed 6 January 2026]. https://doi.org/10.1590/1981-6723.14224. Available from: https://www.scielo.br/j/bjft/a/WYzgPYkmM7tZwnbpg5wQfRR/
Referência
MEILGAARD, M., and CIVILLE, G.V. and CARR, B.T. Sensory evaluation techniques. Boca Raton: CRC Press, 2015.
Links externos
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