Técnicas assistidas de extração de compostos bioativos de frutas reduzem tempo de processo e resíduos tóxicos

Fabiana Sabadini Rezende Niglio, Coordenadora de Comunicação do Brazilian Journal of Food Technology, Campinas, SP, Brasil.

Silvia Pimentel Marconi Germer, Editora adjunta do Brazilian Journal of Food Technology, Campinas, SP, Brasil.

Logo do periódico Brazilian Journal of Food TechnologyO descarte de alimentos de origem vegetal, com destaque para as sobras de frutas e hortaliças, desperdiça alimentos ricos em compostos bioativos como polifenóis, carotenóides, fibras e lipídios que podem gerar subprodutos para o desenvolvimento de novos produtos. Além disso, a utilização de forma sustentável desses resíduos reduz a produção de resíduos orgânicos descartados no meio ambiente.

Na maioria das vezes os compostos bioativos das frutas são extraídos por solventes orgânicos (líquido-líquido/líquido-sólido), usando vários métodos convencionais, como maceração, extração Soxhlet e hidrodestilação, que geralmente empregam calor e/ou agitação. No entanto, essas técnicas apresentam desvantagens como o uso de solventes com alta pureza, alto custo, potencial toxicidade, baixa seletividade na extração, longos períodos de extração e decomposição térmica de compostos termolábeis (BANERJEE, et al, 2017).

Como alternativa, as técnicas de extração emergentes ou “assistidas” têm sido estudadas para minimizar as limitações decorrentes das técnicas convencionais de extração. Essas técnicas são baseadas em processos não térmicos, redução do uso de energia e implementação de solventes não tóxicos, sendo consideradas tecnologias “verdes” ou “limpas”. Estas são particularmente interessantes para extrair compostos termolábeis. Por exemplo, as técnicas por extração assistida por enzima e a extração por processos fermentativos – fermentação submersa ou em estado sólido – têm sido apontadas como estratégias eficientes para promover a liberação de compostos de resíduos de frutas não extraídos por técnicas convencionais ou clássicas. É o que relata o estudo Conventional and emerging techniques for extraction of bioactive compounds from fruit waste, publicado no Brazilian Journal of Food Science and Technology, volume 25, ao apresentar as vantagens e desvantagens das aplicações de métodos convencionais e emergentes para a extração de compostos bioativos de resíduos de frutas.

Foto. Um amontoado de restos de frutas e de vegetais descartados. Fundo branco e sólido.

Imagem: Freepik.

Segundo a revisão, a extração enzimática de fenólicos por enzimas proporciona maior permeabilidade da parede celular, e com isso, maiores rendimentos de extração de compostos bioativos são alcançados. Todavia, o processo apresenta desvantagens pelo alto custo, uma vez que é necessário a produção e purificação das enzimas a serem aplicadas.

Considerando que muitos microrganismos por meio das enzimas produzidas durante esse processo são capazes de sintetizar metabólitos secundários ou modificar a estrutura de compostos existentes, os processos fermentativos têm se destacado como opção para a extração e formação de compostos fenólicos (DEY, et al, 2016). Para os autores, a extração assistida por enzimas melhora o rendimento e a qualidade dos compostos obtidos e os processos fermentativos, e promovem aumento do teor de compostos nas amostras fermentadas devido à liberação de fenólicos da parede celular após a colonização do fungo, ação de diferentes enzimas ligninolíticas e hidrolíticas produzidas pelos microrganismos durante fermentação.

Nessa vertente, os processos de pré-extração assistida por enzimas e as extrações por processos fermentativos tornam-se uma escolha viável para a extração de compostos bioativos dos resíduos de frutas pela valorização desses resíduos como aditivos naturais e por promoverem a liberação de compostos que podem ser utilizados em indústrias alimentícias, farmacêuticas e cosméticas. Ao mesmo tempo, as técnicas e os processos fermentativos emergentes reduzem os tempos de processamento e minimizam os impactos ambientais gerados pelos resíduos.

Referências

BANERJEE, J., et al. Bioactives from fruit processing wastes: Green approaches to valuable chemicals. Food Chemistry [online]. 2017, vol. 225, pp. 10-22 [viewed 12 January 2023]. http://doi.org/10.1016/j.foodchem.2016.12.093. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0308814616321148

DEY, T.B., et al. Antioxidant phenolics and their microbial production by submerged and solid state fermentation process: A review. Trends in Food Science & Technology [online]. 2016, vol. 53, pp. 60-74 [viewed 12 January 2023]. https://doi.org/10.1016/j.tifs.2016.04.007. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0924224415301102

Para ler o artigo, acesse

SANTOS, T.R.J. and SANTANA, L.C.L.A. Conventional and emerging techniques for extraction of bioactive compounds from fruit waste. Braz. J. Food Technol. [online]. 2022, vol. 25, e2021130 [viewed 12 January 2023]. https://doi.org/10.1590/1981-6723.13021. Available from: https://www.scielo.br/j/bjft/a/3p3TDK7XSfdP6fT6t7ZYNHt/

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

NIGLIO, F.S.R. and GERMER, S.P.M. Técnicas assistidas de extração de compostos bioativos de frutas reduzem tempo de processo e resíduos tóxicos [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2023 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2023/01/12/tecnicas-assistidas-de-extracao-de-compostos-bioativos-de-frutas-reduzem-tempo-de-processo-e-residuos-toxicos/

 

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