Simone Bacilieri, Linceu Editorial, São José dos Campos, SP, Brasil
O artigo Transplantes de Órgãos e Tecidos: Uma Análise dos Transplantes Realizados na Região Nordeste em 2024, publicado no Brazilian Journal of Transplantation (vol. 29 2026), revela um desequilíbrio marcante entre oferta e demanda por transplantes: 5.919 procedimentos foram realizados na região, enquanto mais de 12 mil pessoas permaneciam em lista de espera.
A pesquisa analisou dados oficiais do Registro Brasileiro de Transplantes e da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos para mapear o cenário regional. O estudo se concentra no Nordeste, área populosa e socialmente diversa, onde doenças renais crônicas e condições oculares impulsionam grande parte da demanda por rim e córnea – órgãos que representam a maioria dos pedidos em todos os estados.

Imagem: Via Canva
Realizado com abordagem observacional, descritiva e quantitativa, o trabalho examinou os transplantes feitos em 2024 nos nove estados da região. Ceará e Pernambuco se destacaram em volume de procedimentos, enquanto outros estados apresentaram números significativamente menores, indicando impacto direto da infraestrutura, da capacitação profissional e das diferenças socioeconômicas sobre o acesso ao transplante.
Os resultados mostram que o Ceará respondeu por quase um terço dos transplantes realizados (31,63%), seguido por Pernambuco e Bahia. Porém, a maior lista de espera pertence à Bahia, que concentrou mais de 3.800 pacientes. No total, mais de 12 mil pessoas aguardavam um órgão ou tecido no Nordeste, número mais que o dobro dos transplantes efetivados no mesmo período. As menores taxas de doação efetiva, associadas a desafios como baixa adesão familiar, limitações hospitalares e atrasos na confirmação de morte encefálica, contribuem para filas prolongadas.
O trabalho conclui que reduzir essas desigualdades exige ações estratégicas: fortalecer a infraestrutura de saúde, aprimorar a formação de equipes envolvidas na captação de órgãos, melhorar o diagnóstico de morte encefálica e ampliar campanhas de sensibilização pública para elevar as taxas de consentimento familiar. Para os autores, reduzir as diferenças regionais é essencial para aumentar a oferta de órgãos, agilizar o atendimento e melhorar os desfechos clínicos dos pacientes que dependem do transplante para sobreviver.
Para ler o artigo, acesse
BASTOS, V. S. et al. Transplantes de Órgãos e Tecidos: Uma Análise dos Transplantes Realizados na Região Nordeste em 2024. Brazilian Journal of Transplantation [online]. 2026, vol. 29, e0226 [viewed 12 March 2026]. https://doi.org/10.53855/bjt.v29i1.746_PORT. Available from: https://www.scielo.br/j/bjt/a/RbbZV7ysKffJ3WjQkHBJXwm/?lang=pt
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS. Dimensionamento dos transplantes no Brasil e em cada estado (2013-2020). Registro Brasileiro de Transplantes [online]. 2020, vol. 26, no. 4, pp. 1-88. [viewed 12 March 2026]. Available from: https://site.abto.org.br/wp-content/uploads/2021/03/rbt_2020_populacao-1-1.pdf
Links externos
Brazilian Journal of Transplantation – SciELO
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A autora assume total responsabilidade por este texto, revisado e editado após a elaboração de um esboço pelo SciSummary, em dezembro de 2025.
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