Avaliação do impacto de programas alimentares no controle do peso e na eficiência reprodutiva de codornas de corte

Maria Luiza De Grandi, jornalista do periódico Ciência Rural, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. 

Fernanda Gabryela Bezerra de Araújo, Zootecnista na Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza, Ceará, Brasil.

Logo do periódico Ciência RuralUma pesquisa realizada no Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC) avaliou diferentes programas de alimentação para codornas europeias de corte reprodutoras e encontrou evidências de que pequenas restrições na oferta de ração podem reduzir o consumo e a mortalidade das aves, sem afetar a produção de ovos, a qualidade ou os índices de incubação. O estudo foi desenvolvido em parceria com o grupo de melhoramento de codornas de corte da instituição e envolveu alunos de graduação, pós-graduação e docentes especializados em nutrição, manejo e genética avícola. O artigo Programas de alimentação para fase de crescimento de duas linhagens de codornas de corte reprodutoras foi publicado no periódico Ciência Rural (vol. 55, no. 8, 2025).

Segundo a pesquisadora Fernanda de Araújo, “a ideia surgiu porque o setor produtivo vinha relatando dificuldades para controlar o peso das matrizes de codornas de corte, que consomem muita ração e podem ficar obesas, o que reduz fertilidade, aumenta a mortalidade e encarece o sistema”, além da falta de informações específicas para essa categoria de aves, já que “a maior parte dos estudos anteriores foca em codornas japonesas de postura ou frangos de corte, e quase não havia dados sobre codornas europeias de corte reprodutoras”.

O experimento utilizou 480 codornas distribuídas em três programas de alimentação entre 14 e 42 dias de idade: oferta à vontade, oferta controlada por ave por dia e uma versão dessa oferta controlada com 10% de restrição. As aves foram acompanhadas desde a fase inicial até 51 semanas de idade, avaliando consumo, ganho de peso, maturidade sexual, produção e qualidade de ovos e parâmetros de incubação. Segundo a pesquisadora, “nossos resultados mostram que uma restrição leve, de apenas 10%, durante o crescimento reduz o consumo de ração, o ganho de peso e o peso final das aves, e atrasa em cerca de quatro dias a idade ao primeiro ovo, mas sem comprometer nenhum parâmetro reprodutivo”.

 

 

Os dados apresentados na pesquisa confirmam isso: as aves do grupo restrito consumiram menos ração e tiveram menor peso corporal tanto aos 42 dias quanto ao final do ciclo de postura, além de apresentarem menor mortalidade, enquanto as aves alimentadas à vontade foram as que mais morreram durante a fase produtiva. “O fato de reduzir a mortalidade sem prejudicar fertilidade, eclosão e qualidade dos ovos é extremamente relevante para o setor”, comenta Fernanda. Ela destaca que controlar o peso das matrizes é fundamental para evitar obesidade, que pode prejudicar a ovulação e o desenvolvimento dos ovos.

Apesar de diferenças no consumo e no peso, não houve prejuízo na produção de ovos, na massa de ovos, na qualidade interna e externa ou nos índices de incubação entre os programas avaliados. “Isso significa que podemos ajustar o programa alimentar na fase de crescimento para reduzir custos e melhorar o bem-estar das aves, sem perder eficiência reprodutiva — algo muito valioso para granjas comerciais”, explica.

Na prática, os resultados podem ajudar granjas a formular programas mais eficientes para matrizes de codornas. A cientista Fernanda resume: “se o objetivo da granja for simplicidade de manejo, a alimentação à vontade ou controlada funciona bem; mas se a meta for reduzir consumo e mortalidade, a restrição leve é uma alternativa segura, desde que seja bem acompanhada”. Ela reforça que qualquer mudança deve ser aplicada apenas na fase de crescimento, pois depois dos 42 dias todas as aves passaram a receber ração de postura à vontade.

O estudo se destaca por acompanhar as codornas ao longo de todo o ciclo produtivo e por avaliar variáveis de desempenho, maturidade, produção, qualidade de ovos e incubação simultaneamente — algo ainda pouco explorado em codornas europeias de corte. “Nosso trabalho ajuda a suprir uma lacuna de informações e tem potencial para orientar guias de manejo e decisões dentro das granjas”, afirma a autora.

Para ler o artigo, acesse

ARAÚJO, F.G.B. et al. Programas de alimentação para fase de crescimento de duas linhagens de codornas de corte reprodutoras. Ciência Rural [online]. 2025, vol. 55, no. 8, e20240317 [viewed 2026]. https://doi.org/10.1590/0103-8478cr20240317. Available from: https://www.scielo.br/j/cr/a/fCtwBjYF8SShnfThcKL9rpy/

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

GRANDI, M.L. and ARAÚJO, F.G.B. Avaliação do impacto de programas alimentares no controle do peso e na eficiência reprodutiva de codornas de corte [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2026 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2026/03/18/avaliacao-do-impacto-de-programas-alimentares-no-controle-do-peso-e-na-eficiencia-reprodutiva-de-codornas-de-corte/

 

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