Douglas Santos, pesquisador, Reserva do Caraça, Brumal, MG, Brasil.
Lucas Perillo, pesquisador, Bocaina Biologia da Conservação, Belo Horizonte, MG, Brasil.
Marcos Callisto, professor de Ecologia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.
Ricardo R. C. Solar, professor de Ecologia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.
O estudo Santuário do Caraça como uma área de referência para qualidade de água na bacia do Alto Rio Doce, publicado no periódico Acta Limnologica Brasiliensia (vol. 37, 2025), mostra que riachos dentro do Santuário do Caraça apresentam água de excelente qualidade e habitats bem preservados, enquanto muitos riachos fora da reserva — sobretudo próximos a áreas urbanas e mineração — exibem sinais claros de poluição e degradação. Os resultados indicam que o Caraça funciona como uma área de referência (“padrão-ouro”) para a qualidade da água na região, oferecendo parâmetros úteis para monitoramento e recuperação ambiental no Alto Rio Doce.
A pesquisa avaliou 28 riachos amostrados em 2024 (7 no Santuário e 21 externos). A equipe liderada pelo professor Marcos Callisto (UFMG) contou com a participação dos pesquisadores Ricardo Solar (UFMG), Lucas Perillo (Bocaina Biologia da Conservação) e Douglas Silva (Reserva do Caraça), além de estudantes de graduação e pós-graduação. Os pesquisadores mediram indicadores de qualidade da água (como oxigênio dissolvido, nutrientes, coliformes fecais, condutividade e turbidez) e características do habitat (como condições da mata ciliar, assoreamento e alterações no canal), combinando um protocolo de avaliação ecológica rápida com análises estatísticas para comparar, de forma objetiva, áreas preservadas e impactadas.

Imagem: Acervo pessoal de Lucas Perillo.
Os resultados confirmaram o contraste esperado: seis dos sete riachos dentro do Caraça mantiveram condições excelentes, enquanto, fora da reserva, foi frequente o registro de coliformes fecais elevados (sugerindo contaminação por esgoto), maior turbidez e margens degradadas, especialmente perto de cidades, estradas e atividades mineradoras. Todos os ambientes amostrados estão dentro da bacia do Piracicaba e nascem na Serra do Caraça, o que evidencia a degradação da qualidade da água: assim que as águas saem do Caraça, já sofrem impactos da ocupação humana ao redor. O estudo também identificou alguns riachos externos ainda bem conservados, que podem funcionar como referências secundárias em áreas menos impactadas.
Além de reforçar o papel das áreas protegidas e das matas ciliares na manutenção da água limpa, o trabalho fornece uma base técnica para programas de biomonitoramento e para a calibração/validação de índices de qualidade da água usados por órgãos gestores.
Para ler o artigo, acesse
CALLISTO, M., et al. Santuário do Caraça como uma área de referência para qualidade de água na bacia do Alto Rio Doce. Acta Limnologica Brasiliensia [online]. 2025, vol. 37, e35 [viewed 12 January 2026]. https://doi.org/10.1590/S2179-975X1625. Available from: https://www.scielo.br/j/alb/a/h9yKrZGTcrv4qZy9xzC89bL/
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Site oficial do Santuário do Caraça
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