Mortes prematuras, vidas despedaçadas, sociedade amedrontada: o saldo da violência que impacta a saúde

Por Maria Cecília de Souza Minayo, Editora-chefe e Luiza Gualhano, Assistente de comunicação, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

A rica variedade de abordagens, trazidas no número temático (v. 22, n. 9) de Ciência & Saúde Coletiva, evidencia o avanço do conhecimento produzido na área da saúde a respeito do impacto da violência sobre a vida das pessoas; a persistência desse fenômeno social na série histórica de morbimortalidade no país e em países da América Latina desde o início da década de 1980 (GONZALO-PEREZ, et al., 2017; COSTA, et al., 2017); o aprimoramento de metodologias para análise do problema; e as várias formas de enfrentamento que partem do poder público e da sociedade civil, principalmente, a partir da promulgação da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Violências e Acidentes (BRASIL, 2001).

Os textos que compõem esta edição poderiam ser classificados em três eixos: (i) violência interpessoal que abarca o ciclo de vida (RODRIGUES, et al., 2017). Na infância e adolescência, os autores abordam a negligencia, o bullying e a violência sexual (AVANCI, et al., 2017). Contra a mulher, os artigos analisam a violência física e o feminicídio (MENEGHEL, et al., 2017). Contra a pessoa idosa, os autores mostram a violência intrafamiliar, institucional e o suicídio com os fatores associados; (ii) violência institucional evidenciada em textos sobre agressões contra mulheres agentes prisionais (FERREIRA, et al., 2017) e sobre as que ocorrem nas relações entre profissionais de saúde e usuários do SUS (SÃO BENTO, et al., 2017); (iii) por fim, há vários textos sobre estratégias de enfrentamento das violências, seja por meio de intervenções psicoterapêuticas ou de outros tipos (BONILLA-ESCOBAR, 2017).

Destacam-se ainda artigos que utilizam o ainda recente Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes do SUS (VIVA) como fonte de dados, expressando seu potencial de subsídio às políticas de intervenção (SOUTO, et al., 2017). Em dois deles, ressalta-se o inovador uso do procedimento de linkage entre o VIVA e o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc). Nesse último caso, os resultados permitem mostrar impactos e consequências da violência sexual contra as adolescentes femininas e a qualidade da atenção a elas ofertada (MALTA, et al., 2017).

Em resumo, estudos brasileiros se somam aos de autores de outros países, na busca de aprofundar o “saber” e de avançar o “fazer” no processo de construção de um pacto pelos direitos humanos, pela paz e contra a barbárie. Nesse sentido, a comunidade acadêmica, aqui representada, se aproxima de uma das maiores preocupações atuais da população brasileira que busca segurança e não aguenta mais o nível exacerbado de violência.

Referências

Política nacional de redução da morbimortalidade por acidentes e violências. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.

Link externo

Ciência & Saúde Coletiva – CSC: <http://www.scielo.br/csc>

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

MINAYO, M.C.S. and GUALHANO, L. Mortes prematuras, vidas despedaçadas, sociedade amedrontada: o saldo da violência que impacta a saúde [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2017 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2017/10/03/mortes-prematuras-vidas-despedacadas-sociedade-amedrontada-o-saldo-da-violencia-que-impacta-a-saude/

 

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