Quais são as especificidades no atendimento odontológico a crianças que tiveram infecção congênita pelo vírus Zika?

Por Rafaella Máximo Pereira de Siqueira, Cirurgiã-dentista especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais, Faculdade COESP, João Pessoa, PB, Brasil

Desde a segunda metade do ano 2015, quando foi decretada situação de emergência em saúde pública internacional devido ao surto de nascimento de neonatos com microcefalia, um grande número de publicações científicas sobre Zika foi gerado em curto período de tempo. Porém, poucos são os artigos no campo da odontologia, sobretudo no tocante à área de recomendações clínicas. Em vista do exposto, as alunas Rafaella M.P. Siqueira e Aline B.A.S. Marinho e as Professoras Dra. Maria Teresa BR Santos e Dra. Glória Maria P. Cabral, do Curso de Especialização em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais, da Faculdade Centro Odontológico de Estudos e Pesquisas (COESP), João Pessoa – PB – Brasil, propuseram a partir de uma revisão de literatura, um referencial teórico para embasar equipes de saúde bucal na assistência a indivíduos que tiveram infecção congênita pelo vírus Zika, no artigo “Dental care for children with Congenital Zika Syndrome”, publicado na RGO – Revista Gaúcha de Odontologia (vol. 68).

A síndrome congênita do vírus Zika afeta bebês de mães infectadas durante a gestação. A microcefalia é o sinal que mais chama atenção neste quadro, embora não esteja presente em todos os indivíduos acometidos. Além dela, muitas são as complicações que podem vir associadas, as quais devem ser levadas em consideração pela equipe de saúde bucal para execução de um plano de tratamento seguro. As autoras usando como referências estudos já publicados (SIQUEIRA; SANTOS; CABRAL, 2018) e com base na observação de crianças acompanhadas pelo grupo de pesquisa, discorreram neste artigo sobre cada uma das comorbidades que podem estar presentes e suas implicações para o tratamento odontológico.

Imagem: freepik.

As crianças com esta síndrome compõem um grupo de alto risco para o desenvolvimento de doenças bucais, como cárie e doença periodontal, pois além de defeitos na estrutura dental, a dieta pastosa característica da maioria dos casos, o uso de grande quantidade de medicações que podem conter açúcar e a dificuldade na higienização bucal são fatores predisponentes ao desenvolvimento destas patologias (CAVALCANTI, 2017). Dessa maneira, torna-se necessário o acompanhamento odontológico desde os primeiros meses de vida destas crianças, com orientação dos cuidadores sobre higiene e hábitos alimentares, e estabelecimento de um programa preventivo com consultas regulares, controle adequado do biofilme dental e uso racional do flúor (AGUIAR et al., 2018).

Pessoas com a síndrome congênita do vírus Zika demandam de cuidados especiais multiprofissionais por toda a vida, e fazem parte de uma parcela da população que cresceu muito em pouco tempo. Assim, é imprescindível que o cirurgião-dentista seja capaz de participar das equipes interdisciplinares com segurança no estabelecimento de planos de tratamento integral, que contribuam para melhorar a qualidade de vida destes indivíduos.

A seguir, assista a um curto vídeo em que é abordado o conteúdo deste artigo resumidamente.

Referências

AGUIAR, Y.P.C., et al. Chronology of the first deciduous tooth eruption in brazilian children with microcephaly associated with Zika virus: a longitudinal study. Pesq Bras Odontopeditr Clin Integr [online]. 2018, vol. 18, no. 1, e3982, ISSN: 1519-0501 [viewed 26 August 2020]. DOI: 10.4034/PBOCI.2018.181.16. Available from: http://revista.uepb.edu.br/index.php/pboci/article/view/3982

CAVALCANTI, A.L. Chalenges of dental care for children with microcephaly carrying Zika congenital syndrome. Contemp Clin Dent [online]. 2017, vol. 8, no. 3, pp. 345-346, e-ISSN:0976- 2361 [viewed 26 August 2020]. DOI: 10.4103/0976-237X.214553. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5643986/

SIQUEIRA, R.M.P., SANTOS, M.T.B.R. and CABRAL, G.M.P. Alterations in the primary teeth of children with microcephaly in northeast Brazil: a comparative study. Int J Paediatr Dent [online]. 2018, pp. 523-532, ISSN: 0960-7439 [viewed 26 August 2020]. DOI: 10.1111/ipd.12402. Available from: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/ipd.12402

Para ler o artigo, acesse

DE SIQUEIRA, R.M.P., et al. Dental care for children with Congenital Zika Syndrome. RGO, Rev. Gaúch. Odontol. [online]. 2020, vol. 68, e20200014, ISSN: 1981-8637 [viewed 26 August 2020]. DOI: 10.1590/1981-863720200001420180012. Available from: http://ref.scielo.org/s63ymv

Links externos

RGO – Revista Gaúcha de Odontologia: <http://www.scielo.br/rgo>

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

DE SIQUEIRA, R.M.P. Quais são as especificidades no atendimento odontológico a crianças que tiveram infecção congênita pelo vírus Zika? [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2020 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2020/08/26/quais-sao-as-especificidades-no-atendimento-odontologico-a-criancas-que-tiveram-infeccao-congenita-pelo-virus-zika/

 

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