Comportamento de 42 porta-enxertos na citricultura é avaliado

Maria Luiza De Grandi, Jornalista da Revista Ciência Rural, Santa Maria, RS, Brasil.

Léo Omar Duarte Marques, Programa de Pós-graduação em Agronomia, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), 96160-000, Capão do Leão, RS, Brasil.

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O Brasil é destaque na produção de laranjas doces (Citrus sinensis (L.) Osbeck), sendo a citricultura um dos mais importantes setores do agronegócio no Brasil. De acordo com a Food and Agriculture Organization (2018), a produção anual destas frutas representam cerca de 35% da produção nacional. O Rio Grande do Sul (RS) é o sexto maior produtor do país, com 352.451 toneladas por ano (IBGE, 2020). A citricultura faz uso da técnica do enxerto e porta-enxerto, sendo este último, devido a problemas fitossanitários por ter uma base estreita, muito suscetível a pragas e doenças (RODRIGUES, et al., 2015).

Com o objetivo de avaliar o comportamento de 42 portas-enxertos na formação de mudas de laranjeira “Valência Late” em fase de viveiro, pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria (INIA), elaboraram o artigo Desempenho em viveiro de porta-enxertos potencialmente promissores para a citricultura do sul do Brasil, publicado no periódico Ciência Rural (vol. 52, nº 1).

Para alcançar os resultados, o estudo foi construído em delineamento inteiramente casualizado, explica o pesquisador Léo Omar Duarte Marques. “Acompanhamos o desenvolvimento dos portas-enxertos durante toda a fase de viveiro.”. Ao final, da pesquisa foi realizada a enxertia, que consiste na união de duas espécies diferentes, utilizando o cultivar “Valência Late”, amplamente utilizado no sul do Brasil. Os resultados apontaram possíveis alternativas de porta-enxerto: “Essas alternativas serão testadas a campo, pois nosso estudo se concentrou em estudar o crescimento inicial da muda, até o momento da enxertia.”, destaca Marques.

Fotografia de um homem analisando uma muda de árvore cítrica em uma estufa.

Imagem: Léo Omar Duarte Marques

A pesquisa traz um importante auxílio ao setor de citricultura da região Sul do Brasil. “Ao oferecer novas possíveis alternativas de porta-enxertos, aumentamos a base genética de porta-enxertos e isso tende a diminuir os riscos do aparecimento de doenças que no caso o genótipo predominante na citricultura da região seja suscetível. Por exemplo, se surge uma doença que o Trifoliata seja suscetível e algum genótipo LCR “limoeiro cravo rugoso” apresente tolerância ou resistência, as plantas enxertadas em LCR se salvariam, ou pode acontecer vice-versa.”, explica o cientista Léo Marques.

O porta-enxerto também influencia nas demais características como sabor de frutos e produtividade. “Também é importante considerar que no Sul do Brasil existe a ocorrência de geadas, portanto é preciso fazer o estudo inicial da adaptação, para minimizar os riscos do setor citrícola ao tentar inserir um novo genótipo de porta-enxerto, afinal muitos genótipos de porta-enxerto de citros não toleram geadas.”, completa.

Segundo o pesquisador, o estudo abre portas para futuros estudos: “Nesse nosso estudo apontamos quais porta-enxertos merecem uma atenção especial em novos estudos, acreditamos que estamos formando um alicerce para estudos sequentes em cima dos porta-enxertos estudados, que lá adiante esperamos que sejam utilizados em larga escala pela citricultura do Sul do Brasil.”, conclui.

Referências

FAO. Food and Agriculture Organization of the United Nations statistical database 2018, FAO.

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Levantamento sistemático da produção agrícola: pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras agrícolas no ano civil. LSPA 2020, IBGE.

RODRIGUES, M. J. S. et al. Fruit characterization and propagation of hybrid citrus rootstocks in protected environment. Rev. Bras. Frutic. [online]. 2015, vol. 37, no. 2, pp.457-470 [viewed 25 July 2022]. https://doi.org/10.1590/0100-2945-068/14. Available from: https://www.scielo.br/j/rbf/a/c8VRVmvKfW85gY5bfQbBNgz/?lang=pt

RODRIGUES, M.J.S., et al. Citrus nursery tree production using different scion and rootstock combinations in screen house. Rev. Bras. Frutic. [online]. 2016, vol. 38, no. 1, pp.187-201 [viewed 25 July 2022]. https://doi.org/10.1590/0100-2945-284/14. Available from: https://www.scielo.br/j/rbf/a/nVJ3vdjLjvqgtkKMXbhPCdN/?lang=pt

Para ler o artigo, acesse

MARQUES, L.O.D., et al. Nursery performance of potentially promising rootstocks for citriculture in the south of Brazil. Cienc. Rural [online]. 2022, vol. 52, no. 1, e20200227 [viewed 25 July 2022]. https://doi.org/10.1590/0103-8478cr20200227. Available from: https://www.scielo.br/j/cr/a/PxdBgPhWNMML63vTKWH8LKK/?lang=en

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GRANDI, M.L. and MARQUES, L.O.D. Comportamento de 42 porta-enxertos na citricultura é avaliado [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2022 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2022/07/25/comportamento-de-42-porta-enxertos-na-citricultura-e-avaliado/

 

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