Betine Pinto Moehlecke Iser, Editora Associada da RESS, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão, SC, Brasil.
No artigo Análise da mortalidade de usuários atendidos em um Serviço de Atendimento Móvel de Urgência: estudo observacional, Paraná, 2019-2020, publicado pelo periódico Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS (RESS) (vol. 34, 2025), os autores analisaram mais de 13 mil atendimentos do SAMU em 21 municípios do Paraná, nos anos de 2019 e 2020, para identificar quais situações estiveram mais associadas a óbito e como o tempo até o atendimento se relacionou com esse desfecho. A pesquisa utilizou informações dos registros de atendimentos em que houve avaliação médica a distância (pela central de regulação) e o envio de ambulâncias para o socorro. O tempo de resposta foi contado desde o chamado ao serviço de emergência (número 192) até a chegada da equipe para o atendimento. O tempo mediano variou de 9,5 a 9,8 minutos.
Entre os casos analisados, registraram-se 101 óbitos ocorridos ainda durante o atendimento pré-hospitalar (cerca de 1% do total). A mortalidade foi maior quando o chamado envolvia situações sensíveis ao tempo (doenças cardiovasculares e acidentes graves), durante o ano de 2020 (ano marcado pelo início da pandemia de covid-19), e em atendimentos realizados por equipes de suporte avançado – normalmente acionadas para casos mais graves, como traumas por acidentes. Também se observou maior mortalidade em áreas mais afastadas e menos povoadas, pois o tempo de deslocamento costuma ser maior, o que dificulta o acesso rápido ao cuidado especializado.
Ressalte-se que se tratou de estudo observacional, baseado em registros de atendimentos, o qual identificou associações (fatores ligados a maior risco), não “causas” diretas. Mesmo assim, oferece evidências úteis para planejar melhorias na resposta e na equidade do cuidado.
Os achados reforçam que a agilidade do SAMU nos cuidados pré-hospitalares é determinante na sobrevida dos usuários, constituindo-se em fator de equidade e segurança do paciente. Fortalecer a organização regional, reduzir atrasos evitáveis e garantir suporte logístico são estratégias vitais para que o socorro chegue a tempo para todos, especialmente em cenários de crise e em regiões mais vulneráveis. Investir na qualificação da rede de urgência e na resposta rápida é, em última análise, garantir a chance de sobrevivência de quem mais precisa, independentemente de onde o paciente esteja.
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LUDWIG, E.F.S.B., et al. Análise da mortalidade de usuários atendidos em um Serviço de Atendimento Móvel de Urgência: estudo observacional, Paraná, 2019-2020. Epidemiologia e Serviços de Saúde [online]. 2025, vol. 34, e20240092 [viewed 19 March 2026]. https://doi.org/10.1590/S2237-96222025v34e20240092.pt. Available from: https://www.scielo.br/j/ress/a/8fCNXsFLfNRnMg8wMBxg8xC/
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