Morbimortalidade de gestantes e neonatos aumentou durante pandemia de covid-19 no Rio de Janeiro

Alberto Madeiro, Editor Associado da Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS, Universidade Estadual do Piauí, Teresina, PI, Brasil.

Logo do periódico Epidemiologia e Serviços de SaúdeA pandemia causada pelo coronavírus (covid-19) determinou uma emergência médica de grandes proporções na saúde pública mundial. No Brasil, o impacto foi devastador, com cerca de 700 mil mortes e uma das mais elevadas taxas de mortalidade do mundo, verificando-se grandes variações entre os diferentes segmentos sociais. Para populações mais vulneráveis, como idosos, pessoas com comorbidades e imunocomprometidas, crianças abaixo de 5 anos, gestantes e puérperas, a covid-19 apresenta maior chance de evolução para formas graves. A doença pode contribuir para desfechos gestacionais adversos, tendo grávidas infectadas com SARS-CoV-2 maior risco de morte materna, óbito fetal/natimorto, parto prematuro e parto cesáreo.

O artigo Aumento da morbimortalidade materna e neonatal por síndrome respiratória aguda grave nos primeiros anos da covid-19: estudo descritivo-analítico, estado do Rio de Janeiro, 2018-2021, publicado no vol. 34 (2025), do periódico Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS, analisou os casos e óbitos por síndrome respiratória aguda grave, independentemente do agente etiológico, nos dois primeiros anos da pandemia de covid-19 (2020-2021), no estado do Rio de Janeiro, comparando-os com dados de 2018-2019. O estudo foi conduzido por Allan Scharf, da Universidade Federal de Alagoas, e colaboradores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

 

Observou-se elevação no número de casos (2.090) e mortes (187) em gestantes, comparando-se com os casos (105) e óbitos (8) nos dois anos anteriores à pandemia. Esse mesmo comportamento ocorreu entre neonatos, entre os quais se registrou elevação de 300 casos e 8 óbitos, em 2018-2019, para 781 casos e 36 óbitos em 2020-2021. Exceto para uma região de saúde (Baixada Litorânea, que exibiu diminuição no número de casos entre neonatos), houve aumento das taxas de morbidade e de mortalidade para gestantes e recém-nascidos em todas as demais. As maiores taxas foram encontradas em grávidas de 20 a 39 anos e entre residentes de regiões com maior desigualdade socioeconômica.

Mesmo seis anos depois, os dados mostram que há muitas lições a serem aprendidas para combater novas ameaças. As profundas desigualdades em saúde expostas pela pandemia de covid-19, tendo as comunidades mais vulneráveis exibido os piores resultados, realçam a urgência da vigilância permanente. Um dos maiores destaques é a necessidade de reduzir as disparidades no acesso à vacinação, essencial para reduzir casos graves de covid-19 nos grupos estudados. O fortalecimento do sistema de saúde pública continua sendo fundamental para o futuro, incluindo investimentos na qualificação do pré-natal e na infraestrutura de alta complexidade.

Para ler o artigo, acesse

SCHARF, A., et al. Aumento da morbimortalidade materna e neonatal por síndrome respiratória aguda grave nos primeiros anos da covid-19: estudo descritivo-analítico, estado do Rio de Janeiro, 2018-2021. Epidemiologia e Serviços de Saúde [online]. 2025, vol. 34, e20240665 [viewed 20 May 2026]. https://doi.org/10.1590/S2237-96222025v34e20240665.pt.  Available from: https://www.scielosp.org/article/ress/2025.v34/e20240665/pt/#

Referências

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Como citar este post [ISO 690/2010]:

MADEIRO, A. Morbimortalidade de gestantes e neonatos aumentou durante pandemia de covid-19 no Rio de Janeiro [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2026 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2026/05/20/morbimortalidade-de-gestantes-e-neonatos-aumentou-durante-pandemia-de-covid-19-no-rio-de-janeiro/

 

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