Ana Luiza Silva Oliveira, Linceu Editorial, São José dos Campos, SP, Brasil.
A busca por soluções mais sustentáveis e eficientes na agricultura tem impulsionado o desenvolvimento de tecnologias capazes de melhorar o desempenho das culturas sem ampliar os impactos ambientais. Entre essas alternativas, os hidrolisados proteicos apresentam potencial significativo, uma vez que podem atuar tanto como fonte de nutrientes quanto como reguladores de processos fisiológicos.
Para estudar as especificidades desses bioestimulantes e identificar a presença de dipeptídeos em sua composição, além de entender como podem melhorar o rendimento da produção, os autores Fernanda Amaral Della Rosa, Daiane Medeiros Rappe, Angelica Parussolo Tonin, Marcos Alessandro Santos Ribeiro, Felipe Fadel Sartori, Camila Poliseli, Valquiria de Moraes Silva Ribeiro, Gisele Strieder Philippsen, Eduardo César Meurer e Osvaldo Guedes Filho escreveram o artigo Protein hydrolysates for agricultural formulations: LC-MS/MS identification of dipeptides and field evaluation in soybean, publicado no periódico Bragantia (vol. 85), em 2026.
O estudo foi conduzido por meio de uma abordagem experimental que combinou análises laboratoriais e testes de campo. Para isso, foram avaliados tanto produtos comerciais quanto protótipos de bioestimulantes à base de hidrolisados proteicos, com o intuito de identificar a presença de dipeptídeos potencialmente bioativos. A análise foi realizada por meio da técnica de espectrometria de massas (LC-MS/MS), permitindo a identificação detalhada dos compostos presentes nas formulações, além da realização de análises computacionais voltadas à previsão de suas propriedades biológicas e toxicológicas. Além disso, foram conduzidos experimentos em campo com a cultura da soja, a fim de avaliar os efeitos práticos dessas substâncias no desenvolvimento das plantas.
Para a realização dos testes, os pesquisadores compararam diferentes formulações, incluindo produtos comerciais, identificados como Biost1 e Biost2, e protótipos desenvolvidos especificamente para o estudo (MVP1 e MVP2). A partir disso, foram realizados experimentos em campo com a cultura da soja, nos quais as formulações foram aplicadas em condições controladas para avaliar seus efeitos no desenvolvimento das plantas. Durante o processo, foram observados parâmetros relacionados ao crescimento e à produtividade, permitindo a comparação entre os tratamentos e a identificação de possíveis benefícios associados à presença dos dipeptídeos nas formulações analisadas.

Imagem: Vitor Dutra Kaosnoff via Pixabay
Os resultados obtidos indicaram a presença de diferentes dipeptídeos nas formulações analisadas, sendo muitos deles associados a potenciais atividades biológicas relevantes, como ação antioxidante e participação em processos regulatórios do desenvolvimento vegetal. Entre as amostras, o protótipo MVP1 destacou-se por apresentar maior diversidade peptídica, quando comparado aos produtos comerciais. Nos testes em campo, ainda que os ganhos de produtividade não tenham apresentado diferença estatisticamente significativa, foi observado um aumento qualitativo no desempenho das plantas tratadas, além da ausência de efeitos negativos, indicando a segurança e o potencial das formulações avaliadas.
Diante desses achados, o estudo reforça o potencial dos hidrolisados proteicos como ferramentas promissoras para a agricultura sustentável, ao atuar não apenas como fontes nutricionais, mas também como moduladores de processos fisiológicos nas plantas. Além de contribuir para o avanço do conhecimento sobre bioestimulantes, a pesquisa oferece contribuições importantes para o desenvolvimento e o controle de qualidade dessas formulações. Os autores destacam, ainda, a necessidade de investigações futuras que explorem a aplicação de diferentes compostos e condições de cultivo, a fim de aprofundar a compreensão sobre os mecanismos de ação e ampliar o uso dessas tecnologias no campo.
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ROSA, F.A.D., et al. Protein hydrolysates for agricultural formulations: LC-MS/MS identification of dipeptides and field evaluation in soybean. Bragantia [online]. 2026, vol. 85, e20250225 [viewed 12 June 2026]. https://doi.org/10.1590/1678-4499.20250225. Available from: https://www.scielo.br/j/brag/a/nqTDfFxFGWvvjgn3snCGLct/
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