A conquista espacial e o futuro da humanidade

José Bezerra Pessoa Filho, Tecnologista Sênior (aposentado), Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), São José dos Campos, SP, Brasil.

Com décadas de experiência na área, o autor traça um panorama do setor espacial nas suas vertentes histórica, política, econômica, tecnológica e ambiental.  Desde o lançamento do Sputnik, em 1957, 11 mil satélites foram lançados ao espaço, 1/3 dos quais na última década. Ao final do século passado existiam cerca de 750 satélites operando em órbita terrestre.  Vinte anos depois, atingimos a marca 3.500 satélites operacionais. Nos próximos 10 anos, prevê-se o lançamento de mais de 22 mil satélites, principalmente das mega constelações Starlink e Kuiper, pertencentes a dois dos principais atores do NewSpace: Elon Musk e Jeff Bezos. São também desses atores as propostas de colonizar o planeta Marte e de estabelecer comunidades humanas em pontos lagrangianos do sistema Terra-Lua. Tais feitos não deixam quaisquer dúvidas quanto ao fato de que a era do crescimento exponencial e da ruptura tecnológica ultrapassaram os limites da superfície terrestre.  Mas parte de todo esse desenvolvimento científico e tecnológico ocorreu sem se considerar os limites dos recursos naturais existentes no planeta Terra, o que coloca em risco a sobrevivência da civilização humana.

No artigo “Space age: past, presente and possible futures, publicado no Journal of Aerospace Technology and Management” (JATM, vol. 13), o autor faz uso de sua experiência para oferecer uma visão abrangente e atualizada do setor espacial com suas implicações presente e futura com o intuito de estimular discussões maduras, além de muitas reflexões. O fato mais extraordinário da área espacial é a velocidade na qual ela se desenvolve.  Desde a submissão do artigo ao JATM, ocorreram muitos fatos a ele relacionados. A evolução tecnológica é tal, que de posse de um Smartphone é possível acompanhar, em tempo real, a instalação de novos painéis solares na Estação Espacial Internacional (ISS). Mas não deixa de causar apreensão que há menos de um mês o braço robótico da ISS foi atingido por um lixo espacial, fato que poderia ter causado um grave acidente, caso um astronauta trabalhando fora da ISS tivesse sido atingido. Enquanto os astronautas instalam novos painéis solares na ISS, 3 taikonautas chegam ao primeiro módulo da estação espacial chinesa (Tianhe), a bordo da espaçonave Shenzhou-12.

Em junho de 2021, o Governo do Brasil assinou o Acordo Artemis, junto à NASA, abrindo a possibilidade de participação brasileira no retorno de voos tripulados à Lua. Depois de 30 anos de contribuições extraordinárias à Ciência a NASA anunciou que o magnífico telescópio espacial Hubble está sem comunicar com a Terra em função de uma falha em seu computador. O telescópio espacial James Webb, por sua vez, teve seu lançamento adiado em decorrência de problemas com coifa do foguete que iria lança-lo ao espaço.  O bilionário Jeff Bezos anunciou sua viagem ao espaço para o dia 20 de julho, data em que se celebra os 52 anos do primeiro pouso de humanos na Lua.  Ele voará como um dos passageiros do foguete New Shepard, produzido por sua empresa Blue Origin.  Enquanto isso em 2021, até 20 de junho, ocorreram 56 lançamentos de foguetes e quase mil satélites foram colocados em órbita terrestre.

Imagem: NASA/Johnson Space Center.

No artigo são abordadas questões relativas à correlação entre espaço e defesa, bem como sobre as dificuldades de viagens tripuladas a Marte, em cuja órbita encontram-se atualmente oito satélites artificiais, alguns dos quais atuando em conjunto com 4 espaçonaves que operam na superfície do planeta vermelho. Tais missões são percussoras de futuras missões tripuladas, que, muito provavelmente, ocorrerão como resultado de parcerias entre agentes públicos e privados. São também tratadas duas propostas de estabelecimento de colônias humanas na Lua, uma liderada pelos EUA e outra pela Rússia e China. Mas cabe ressaltar, que se a obtenção do conhecimento não vem acompanhada do desenvolvimento de uma capacidade analítica, ele pode ser usado mais como instrumento de manipulação do que ferramenta de evolução. Os milhares de artefatos espaciais trazem um rico conjunto de informações sobre a saúde do planeta Terra atestando, de modo inequívoco, sua contínua deterioração. Para fugir da catástrofe ambiental que se aproxima, será necessário, além de conhecimento científico e tecnológico, mudar o sistema operacional da civilização humana do modo “competição” para o modo “colaboração.” Nessa mudança de paradigma, a linguagem universal que permitirá a comunicação entre as diferentes raças e culturas será a da Ciência. Fora dela, advirá a catástrofe.

Convido você caro leitor a assistir ao vídeo que segue onde apresento outras questões sobre os desafios da conquista espacial.

Para ler o artigo, acesse

PESSOA, J. B. Space age: past, present and possible futures. Journal of Aerospace Technology and Management [online]. 2021, vol.13, e3421. ISSN: 2175-9146 [viewed 28 June 2021]. https://doi.org/10.1590/jatm.v13.1226. Available from: http://ref.scielo.org/6rqfq7

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Sobre os autores

José Bezerra Pessoa Filho é engenheiro mecânico com mestrado e doutorado, tendo atuado por 31 anos em projetos de veículos espaciais desenvolvidos pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Foi professor colaborador do curso de engenharia aeroespacial do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). É membro da Comissão Organizadora da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), que objetiva promover as atividades de cunho científico no seio da comunidade do ensino fundamental e médio em todo o Brasil.   E-mail: jbpfilho@yahoo.com.br (http://lattes.cnpq.br/4559834179431063)

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

PESSOA FILHO, J. B. A conquista espacial e o futuro da humanidade [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2021 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2021/07/23/a-conquista-espacial-e-o-futuro-da-humanidade/

 

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