Insensibilização elétrica no peixe Jundiá mantém qualidade da carne e possibilita o abate humanitário

Maria Luiza De Grandi, Jornalista da Revista Ciência Rural, Santa Maria, RS, Brasil.

Daniel Santiago Rucinque Gonzalez, Médico Veterinário, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, PR, Brasil.

A produção de animais aquáticos segue crescendo ao redor do mundo. No Brasil, de acordo com as estatísticas apontadas pela Food and Agriculture Organization (FAO), em 2016, 509.285 toneladas de pescado foram produzidas no Brasil da aquicultura, apresentando aumento de 5,4% em relação ao ano anterior (FAO, 2018). Dentre estes pescados, está a espécie Rhamdia quelen, conhecido popularmente como Jundiá. Na América do Sul, a produção desse peixe é de 1.747 toneladas por ano e, no Brasil, representa 0,32% da aquicultura nacional (BRASIL, 2011).

Com o objetivo de estudar os parâmetros para insensibilização elétrica em Jundiá (Rhamdia quelen) e seus efeitos sobre o pH muscular e o rigor mortis, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, em parceria com a Estação de Pesquisa em Piscicultura e Ecologia de Espécies Nativas do Reservatório da ITAIPU Binacional, desenvolveram a pesquisa Insensibilização elétrica em Jundiá (Rhamdia quelen) usando corrente direta: bem-estar e qualidade da carne. O artigo foi publicado no periódico Ciência Rural (vol. 51, nº 8).

“Inicialmente nosso objetivo com a pesquisa foi estudar os parâmetros para insensibilização elétrica em Jundiá e seus efeitos sobre parâmetros da qualidade da carne”, explica o cientista Daniel Rucinque. Para atingir os objetivos, os animais foram divididos em dois grupos diferentes de parâmetros elétricos para insensibilização (125 e 400). No grupo 125, 14,4% (5/35) dos peixes não foram efetivamente insensibilizados, em contraste com o grupo 400, em que 100% dos peixes (35/35) foram efetivamente insensibilizados. A duração da inconsciência foi significativamente maior no tratamento 400. “Não observamos diferenças significativas nos parâmetros de qualidade de carne avaliados”, destaca Rucinque.

Imagem: Daniel Gonzalez

Os resultados são de grande importância na prática, podendo ser utilizados como base para desenvolver equipamentos que permitam uma insensibilização de peixes efetiva ao nível industrial. “Cada espécie de interesse na aquicultura deve ser estudada por separado para conhecer tais parâmetros elétricos”, explica o pesquisador. Além disso, existe uma preocupação crescente dos consumidores com a origem dos produtos consumidos, tanto de origem vegetal como animal.

“Nossa pesquisa traz subsídios para discutir e refinar as práticas atuais no abate de peixes, levando em conta o bem-estar dos mesmos, assim como a urgente necessidade de adequar a normativa de abate no país, incluindo os peixes”, conclui Rucinque. A pesquisa traz inovações quando comparada a outras pesquisas da área (VIEGAS et al., 2012). “Outras pesquisas unicamente centravam-se na qualidade da carne. Nós queríamos uma abordagem para entender o comportamento dos peixes na hora da insensibilização elétrica e assim estimar estados de inconsciência onde o animal é insensível à dor”, explica.

Leia mais

BRASIL. Boletim estatístico da pesca e aquicultura [online]. 2011 [viewed 5 April 2022]. Available from: https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/biblioteca/download/estatistica/est_2011_bol__bra.pdf

FAO (FOOD & AGRICULTURE ORGANISATION). FAO yearbook. Fishery and Aquaculture Statistics 2016 [online]. 2018 [viewed 5 April 2022]. Available from: https://www.fao.org/3/i9942t/i9942t.pdf

VIEGAS, E., et al. Métodos de abate qualidade da carne de peixe. Archivos de Zootecnia [online]. 2012, vol. 61, pp. 41-50 [viewed 5 April 2022]. https://doi.org/10.21071/az.v61i237.2957. Available from: https://www.uco.es/ucopress/az/index.php/az/article/view/2957/0

Para ler o artigo, acesse

RUCINQUE, D.S., et al. Electrical stunning in South American catfish (Rhamdia quelen) using direct current waveform: welfare and meat quality. Ciência Rural [online]. 2021, vol. 51, no. 8, e20200547 [viewed 5 April 2022]. https://doi.org/10.1590/0103-8478cr20200547. Available from: https://www.scielo.br/j/cr/a/DRmTTsMvp5C7db5h57xy6wG/?lang=en

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GRANDI, M.L. and GONZALEZ, D.S.R. Insensibilização elétrica no peixe Jundiá mantém qualidade da carne e possibilita o abate humanitário [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2022 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2022/04/06/insensibilizacao-eletrica-no-peixe-jundia-mantem-qualidade-da-carne-e-possibilita-o-abate-humanitario/

 

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