Doadores de coração para crianças enfrentam alta taxa de recusa no sul do Brasil

Simone Bacilieri, Linceu Editorial, São José dos Campos, SP, Brasil

Logo do periódico Brazilian Journal of TransplantationO estudo Perfil Epidemiológico de Candidatos à Doação em um Centro de Referência de Transplante Cardíaco Pediátrico, publicado no Brazilian Journal of Transplantation (vol. 26, 2025), mostrou que quase 93% dos corações oferecidos para transplante em crianças foram recusados entre 2021 e 2023. Os dados revelaram falhas importantes na avaliação clínica dos doadores, além de limitações relacionadas à idade, ao tamanho, às infecções e à instabilidade hemodinâmica.

A pesquisa analisou 205 ofertas de doação de coração realizadas a um centro de transplante pediátrico no sul do Brasil, envolvendo 197 potenciais doadores de diversas regiões do país. O objetivo foi entender quem são esses doadores, como ocorre a avaliação dos órgãos e por que a maioria das ofertas não é aproveitada. O transplante cardíaco é a alternativa definitiva para crianças com doenças cardíacas graves, mas a disponibilidade de órgãos compatíveis ainda é um grande desafio.

Os autores do estudo avaliaram prontuários médicos de forma retrospectiva, observando dados clínicos, exames realizados, uso de medicamentos e presença de infecções. A maioria dos doadores era do sexo masculino e tinha idade média de 19,5 anos. No entanto, cerca de um terço tinha mais de 25 anos, o que pode dificultar a compatibilidade com bebês e crianças pequenas.

 

 

Entre os principais resultados, chamou a atenção a falta de exames essenciais para a avaliação do coração: quase 40% não tinham radiografia ou tomografia de tórax, e cerca de 30% não tinham ecocardiograma. Além disso, muitos apresentavam alterações nos exames disponíveis. Mais de 88% dos doadores usavam medicamentos para manter a pressão arterial, muitas vezes em doses elevadas, e mais de 60% tinham infecções ativas, principalmente respiratórias, fatores que aumentam o risco e contribuem diretamente para a recusa de órgãos.

Segundo os autores, os resultados mostram a necessidade urgente de melhorar os protocolos de avaliação e estabilização dos doadores. A ampliação do acesso a exames completos e a padronização dos critérios de aceitação podem reduzir as recusas, aumentar o aproveitamento de órgãos e salvar mais vidas. O estudo reforça que fortalecer a estrutura de diagnóstico e cuidados com o doador é essencial para avançar no transplante cardíaco pediátrico no Brasil.

 

 

Para ler o artigo, acesse

STURM, A.L.C. and SILVA, B.H.S. Perfil Epidemiológico de Candidatos à Doação em um Centro de Referência de Transplante Cardíaco Pediátrico. Brazilian Journal of Transplantation [online]. 2025, vol.28, e0825 [viewed 10 March 2026]. https://doi.org/10.53855/bjt.v28i1.652_PORT. Available from: https://www.scielo.br/j/bjt/a/PRhTz3XdgK4sHt3sxsMdxPf/

Links externos

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A autora assume total responsabilidade por este texto, revisado e editado após a elaboração de um esboço pelo SciSummary, em dezembro de 2025.

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

BACILIERI, S. Doadores de coração para crianças enfrentam alta taxa de recusa no sul do Brasil [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2026 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2026/03/10/doadores-de-coracao-para-criancas-enfrentam-alta-taxa-de-recusa-no-sul-do-brasil/

 

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