Mulheres grávidas com excesso de peso e seus filhos estão mais expostos aos efeitos adversos do baixo consumo de ácido-graxo alfa-linolênico

Por Letícia Garcia Vasconcelos, nutricionista, residente do Programa Saúde do Adulto e do Idoso da Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp, Caroline de Barros Gomes, nutricionista, doutoranda em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp e Maria Antonieta de Barros Leite Carvalhaes, nutricionista, Doutora em Nutrição Humana pela USP e Professora do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp, Botucatu, SP, Brasil

Pesquisadores da Unesp, USP e UEL publicaram na Revista de Nutrição (v. 30, n. 4), o estudo “Insufficient intake of alpha-linolenic fatty acid (18:3n-3) during pregnancy and associated factors” sobre o consumo de lipídeos ao longo da gravidez. Durante a gestação acontecem grandes transformações fisiológicas, psicológicas e nutricionais, aumentando as necessidades de nutrientes para suprir o crescimento e desenvolvimento do feto, sendo que variados componentes da alimentação materna influem sobre a saúde da mãe e da criança que está sendo gerada. Como exemplos destes nutrientes estão os ácidos graxos poli-insaturados (AGPI) de cadeia longa — como os ácidos graxos alfa-linolênico (ômega 3) e linoleico (ômega 6), com uma importante correlação entre o status de AGPI no feto com o status na mãe (AL, et al., 1995). Dentre outras influências, existem evidências de que os ácidos graxos ômega-3, por sua função anti-inflamatória e antioxidante, podem atuar especialmente como protetores de complicações na gravidez de mulheres com obesidade pré-gestacional (ESCOBAR, et al., 2013) e possuam relação com a redução do risco de prematuridade (MEHER, et al., 2016). Avaliando o consumo alimentar ao longo dos trimestres gestacionais com a utilização de recordatórios alimentares de 24 horas (diferentemente da grande maioria dos estudos realizados), este estudo objetivou analisar a ingestão de ácidos graxos alfa-linolênico e linoleico e identificar fatores associados à ingestão de ácido alfa-linolênico em duas coortes de gestantes. 353 gestantes que realizaram seu pré-natal em unidades básicas de saúde da cidade de Botucatu (SP) foram entrevistadas, duas vezes a cada trimestre gestacional sobre seu consumo alimentar: uma presencialmente outra por telefone. A contribuição percentual dos diferentes tipos de lipídeos para a energia da dieta mostrou-se adequada e 1/3 das gestantes não alcançou a recomendação de ácido alfa-linolênico. Gestantes com excesso de peso pré-gestacional (IMC≥25kg/m²) apresentaram 2,1 (IC95% 1,4-3,1) vezes mais chances de consumo insuficiente de alfa-linolênico frente às eutróficas; Comparadas às gestantes das classes D/E, as pertencentes a classe C têm menores chances de consumo inadequado. O número de grávidas com sobrepeso e obesidade vem crescendo no Brasil, o que reforça a importância dos achados. Os autores finalizam recomendando estudos sobre intervenções nutricionais com gestantes para ampliar o acesso e o consumo de fontes alimentares de ácidos graxos Ômega-3, como peixes.

Referências

AL, M. D. M., et al. Maternal essential fatty acid patterns during normal pregnancy and their relationship to the neonatal essential fatty acid status. Br J Nutr [online]. 1995, vol. 74, no. 1, pp. 55-68, ISSN: 1475-2662 [viewed 13 October 2017]. DOI: 10.1079/BJN19950106. Avaliable from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7547829

ESCOBAR H., J., et al. ¿Pueden los ácidos grasos omega 3 y 6 contrarrestar los efectos negativos de la obesidad en la gestación?. Rev. chil. obstet. ginecol. [online]. 2013, vol. 78, no. 3, pp. 244-250, ISSN: 0717-7526 [viewed 13 October 2017]. DOI: 10.4067/S0717-75262013000300013. Avaliable from: http://ref.scielo.org/368ht8

MEHER, A., et al. Maternal fatty acids and their association with birth outcome: a prospective study. PLoS One [online]. 2016, vol. 11, e0147359, ISSN: 1932-6203 [viewed 13 October 2017]. DOI: 10.1371/journal.pone.0147359. Avaliable from: http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0147359

Para ler o artigo, acesse

VASCONCELOS, L. G., et al. Insufficient intake of alpha-linolenic fatty acid (18:3n-3) during pregnancy and associated factors. Rev. Nutr. [online]. 2017, vol. 30, no. 4, pp. 443-453, ISSN: 1678-9865 [viewed 13 October 2017]. DOI: 10.1590/1678-98652017000400004. Avaliable from: http://ref.scielo.org/vfgbs3

Link externo

Revista de Nutrição – RN: <http://www.scielo.br/rn>

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

VASCONCELOS, L. G., GOMES, C. B. and CARVALHAES, M. A. B. L. Mulheres grávidas com excesso de peso e seus filhos estão mais expostos aos efeitos adversos do baixo consumo de ácido-graxo alfa-linolênico [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2017 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2017/10/24/mulheres-gravidas-com-excesso-de-peso-e-seus-filhos-estao-mais-expostos-aos-efeitos-adversos-do-baixo-consumo-de-acido-graxo-alfa-linolenico/

 

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