Teriam as assimetrias esqueléticas faciais os mesmos componentes nos indivíduos Classe I, II e III?

Por Guilherme Thiesen, Professor,  Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e ZENITH, Pós-Graduação Lato Sensu, Florianópolis, SC, Brasil

Estudo pertence a uma linha de pesquisa que estimou a prevalência de assimetrias esqueléticas mandibulares em indivíduos brasileiros adultos e investigou fatores associados a esta desarmonia (THIESEN, et al. 2016, 2018a, b). Tal linha de pesquisa apresenta extrema importância clínica, pois permite aos profissionais da área da Odontologia quantificar a abrangência das deformidades de assimetria facial e avaliar com mais cautela grupos específicos de pacientes mais predispostos à esta desarmonia. Estima-se que 650 mil pessoas no Brasil aguardam na fila de espera para a realização de uma cirurgia ortognática, que constitui a modalidade de tratamento para as assimetrias mais severas. Atualmente, este tratamento vem inclusive sendo ofertado pelo SUS em alguns centros de atendimento do país. Assim, tais estudos podem acelerar o diagnóstico da deformidade e servir como ferramenta para agilizar o tratamento ortodôntico e cirúrgico destes pacientes.

No último estudo desta linha de pesquisa “Comparison of maxillomandibular asymmetries in adult patients presenting different sagittal jaw relationships”, publicado no Dental Press Journal of Orthodontics (vol. 24, no. 4), pela primeira vez na literatura comparou-se conjuntamente distintas intensidades de assimetrias maxilares e mandibulares em pacientes com diferentes relações sagitais. Pesquisadores de diferentes origens (Unisul/SC, Ulbra/RS, Compass3D/MG, Saint Louis University/USA) reuniram 360 indivíduos adultos que possuíam imagens tomográficas da face, sendo estes divididos em três grupos iguais: 120 indivíduos Classe I, 120 indivíduos Classe II e 120 indivíduos Classe III. Cada grupo foi ainda subdividido de acordo com a intensidade do desvio lateral mandibular: 1) simetria relativa, 2) assimetria moderada e 3) assimetria severa. Três planos de referência foram estabelecidos nas imagens tomográficas, e várias medidas bilaterais foram realizadas.

Fonte: Os autores.

Figura 1. Componentes maxilares e mandibulares comumente associados aos pacientes com assimetria.

Quando se comparou os grupos com diferentes intensidades de assimetria, existiram diferenças significativas entre indivíduos com simetria relativa e indivíduos assimétricos, especialmente nos casos severos para medidas mandibulares como o desvio lateral do mento e o posicionamento espacial do ponto gônio.

Quando se comparou as relações sagitais entre si, não foram encontradas diferenças significativas para as mesmas intensidades de assimetria, exceto para o posicionamento vertical do gônio entre as Classe II e III na assimetria severa. Os pesquisadores observaram que os indivíduos com assimetria severa portadores de Classe II apresentaram maior diferença bilateral no posicionamento vertical do gonion quando comparados àqueles com Classe III.

Fonte: Os autores.

Figura 2. Diferença observada entre os indivíduos Classe II e Classe III com assimetria severa.

Destarte, os achados deste estudo demonstram que os mesmos componentes esqueléticos maxilo-mandibulares estariam relacionados com desarmonias bilateral responsáveis pela expressão de assimetrias nas Classes I, II e III. Isso sugere que as assimetrias, quando presentes, se comportam de maneira praticamente semelhante, independentemente do padrão esquelético sagital.

Referências

THIESEN, G., et al. Is there an association between skeletal asymmetry and tooth absence? Dental Press J. Orthod. [online]. 2019, vol. 21, no. 4, pp. 73-79, ISSN: 2176-9451 [viewed 19 September 2019]. DOI: 10.1590/2177-6709.21.4.073-079.oar. Available from: http://ref.scielo.org/y97j9y

THIESEN, G., et al. Mandibular asymmetries and associated factors in orthodontic and orthognathic surgery patients. Angle Orthod. [online]. 2018a, vol. 88, no. 5, pp. 545-551, ISSN‎: ‎0003-3219 [viewed 19 September 2019]. DOI: 10.2319/111517-785.1. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29667467

THIESEN, G., et al. Three-dimensional evaluation of craniofacial characteristics related to mandibular asymmetries in skeletal Class I patients. Am J Orthod Dentofacial Orthop. [online]. 2018b, vol. 154, no. 1, pp. 91-98, ISSN: 0889-5406 [viewed 19 September 2019]. DOI: 10.1016/j.ajodo.2017.10.031. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29957327

Para ler o artigo, acesse

THIESEN, G., et al. Comparison of maxillomandibular asymmetries in adult patients presenting different sagittal jaw relationships. Dental Press J. Orthod. [online]. 2019, vol. 24, no. 4, pp. 54-62, ISSN: 2176-9451 [viewed 19 September 2019]. DOI: 10.1590/2177-6709.24.4.054-062.oar. Available from: http://ref.scielo.org/8dnq56

Link externo

Dental Press Journal of Orthodontics – DPJO: <http://www.scielo.br/dpjo>

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

THIESEN, G. Teriam as assimetrias esqueléticas faciais os mesmos componentes nos indivíduos Classe I, II e III? [online]. SciELO em Perspectiva | Press Releases, 2019 [viewed ]. Available from: https://pressreleases.scielo.org/blog/2019/09/19/teriam-as-assimetrias-esqueleticas-faciais-os-mesmos-componentes-nos-individuos-classe-i-ii-e-iii/

 

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