Simone Bacilieri, Linceu Editorial, São José dos Campos, SP, Brasil
A hepatite C crônica pode evoluir para cirrose e câncer hepático, levando muitos pacientes ao transplante. Agora, o estudo Segurança e Eficácia dos Antivirais de Ação Direta no Tratamento da Hepatite C em Transplantados, publicado no vol. 28 do Brazilian Journal of Transplantation, em 2025, mostra que esses medicamentos atingem taxas de cura próximas de 96% tanto em pacientes transplantados quanto em não transplantados.
A pesquisa analisou dados clínicos reais coletados entre 2015 e 2023 para entender se os tratamentos atuais funcionam da mesma forma em pessoas com maior vulnerabilidade clínica. Foram avaliados 990 pacientes com hepatite C crônica, incluindo 165 que haviam recebido transplante de fígado. O estudo comparou diretamente a eficácia e a segurança dos antivirais de ação direta nesses dois grupos, uma lacuna importante na literatura.
Realizado por uma equipe multidisciplinar, o trabalho investigou características demográficas, laboratoriais e histórico terapêutico. Os pacientes transplantados eram, em média, mais velhos, majoritariamente do sexo masculino e apresentavam cargas virais mais altas. Além disso, iniciaram o tratamento cerca de três anos após o transplante. Regimes baseados em sofosbuvir foram os mais utilizados, com ou sem ribavirina, um medicamento mais antigo associado a maior toxicidade.

Imagem: Via Canva
Os resultados mostram que a eficácia dos antivirais é praticamente idêntica entre os grupos, com taxas de resposta virológica sustentada de 95,8% nos transplantados e 95,6% nos demais pacientes. Apesar disso, eventos adversos graves foram mais frequentes entre receptores de transplante de fígado, especialmente anemia. Importante: todos os casos graves de anemia ocorreram em pacientes que usaram ribavirina, reforçando que sua inclusão no tratamento não agrega benefício e aumenta riscos.
Os autores do estudo concluíram que os antivirais de ação direta são seguros e altamente eficazes mesmo em pacientes com histórico de transplante, tradicionalmente considerados mais difíceis de tratar. Os achados recomendam cautela no uso de ribavirina, destacando a preferência por terapias sem esse medicamento. A pesquisa sugere, ainda, que ajustes individualizados no tratamento podem reduzir toxicidades e melhorar o cuidado ao paciente, abrindo caminho para práticas clínicas mais seguras no enfrentamento da hepatite C.
Para ler o artigo, acesse
HYPPOLITO, E.B. et al. Segurança e Eficácia dos Antivirais de Ação Direta no Tratamento da Hepatite C em Transplantados. Brazilian Journal of Transplantation [online]. 2025, vol.28, e1425 [viewed 11 March 2026]. https://doi.org/10.53855/bjt.v28i1.662_PORT. Available from: https://www.scielo.br/j/bjt/a/HzrZ4YW86XZFjCmr67q9D3m/
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A autora assume total responsabilidade por este texto, revisado e editado após a elaboração de um esboço pelo SciSummary, em dezembro de 2025.
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